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Alguns comentários sobre o filme irlandês " Life’s a breeze"

O filme Life’s a breeze conta a história de uma família irlandesa que tenta unir-se na crise. O desempregado Colm (Pat Shortt), sua mãe idosa Nan (Fionnula Flanagan) e sua sobrinha Emma (Kelly Thornton) devem superar suas divergências e lutar contra o tempo para resgatar uma fortuna perdida pelas ruas de Dublin. Trata-se na verdade de uma comédia suave e em muitos momentos, com forte apelo dramático, sobre a família de Nan, uma senhora idosa e seu mundo caótico, que abriga seu filho desempregado e preguiçoso e por vezes, quase toda a família. Os filhos de Nan decidem fazer-lhe uma surpresa no dia de seu aniversário. Para tanto, elaboram uma limpeza em sua casa, por acreditarem que ela acumula muita coisa inútil, tranformando, segundo eles, o ambiente num caos. Neste processo de limpeza, porém, eles se desfazem de um colchão que abrigava todas as economias de sua vida. A partir daí, começa a luta desesperada em procurar o colchão pelas ruas de Dublin. Neste momento, per

A CASA OBLÍQUA - CAPÍTULO VIII

Capítulo VIII Clara estava satisfeita com o resultado das pesquisas e o desenvolvimento da dissertação. Estava no caminho certo. Almoçou na universidade e trouxe uma marmita para Nael. Voltou para casa, estacionando à frente do prédio. A temperatura aquecera um pouco e ela foi se desfazendo das roupas ainda no carro. Tirou o casaco, já havia se desfeito das luvas, ficando apenas com o cachecol. Ela desceu rapidamente, cumprimentou a síndica que se preparava para sair exatamente quando ela abria a porta. Tratava-se de uma senhora de baixa estatura, caminhar arrastado e voz grave. Costumava olhar sempre para o alto, embora o interlocutor fosse da mesma altura. Raramente encarava a pessoa, e quando o fazia, olhava de soslaio, parecendo preocupada com alguma coisa alheia a sua vontade. Clara a achava estranha, mas não se preocupava muito com isso. Percebeu que ela queria falar-lhe alguma coisa, por isso perguntou do que se tratava. — Pois é verdade, eu queria falar com voc

A CASA OBLÍQUA - CAPÍTULO VII

CAPÍTULO VII Ao acordar na manhã seguinte, o primeiro pensamento que ocorrera à Clara se referia à conversa que tivera com Nael. Durante todo o tempo, teve a impressão de que eram velhos conhecidos, embora a dificuldade da língua. Não podia se furtar aos pensamentos que se dispersavam, estava inquieta, motivada pelo diálogo que mantiveram tão animados. Entretanto, não era uma inquietude que se traduzisse em ansiedade, ao contrário, sinalizava uma convicção de que agira corretamente. Já de banho tomado, colocou as lentes de contato, ritual de todas as manhãs e guardou cuidadosa, os óculos na bolsa que levaria para a Universidade. Antes de sair do quarto, acessou seus e-mails. Nada de novidade, a não ser as mensagens de seu orientador, algumas newsletters que a encaminhavam a textos de artigos de revistas ou jornais e muito lixo eletrônico. Ela não se concentrava em nada. Pensava nas expressões peculiares de Nael, no seu jeito amistoso de falar, no esforço de se fazer entender.

A CASA OBLÍQUA - CAPÍTULO VI

Agora, porém Clara não poderia voltar atrás, nem abandonar o estrangeiro à própria sorte, além do que estava comprometida até a raiz dos cabelos.   No momento em que decidira ocultá-lo das autoridades, tornava-se cúmplice de qualquer ato ilícito que ele houvesse praticado, além de ferir a ética profissional. Ela arriscara o seu emprego que a habilitava a prosseguir os estudos e manter a situação financeira regular que possuía.   Clara estava preocupada, quando o viu aparecer na porta do gabinete. Teve a estranha sensação de reconhecer nele uma pessoa conhecida, como se fosse um de seus pares, um colega da faculdade, um companheiro de infância. Mas havia algo singular : o sorriso franco, o olhar penetrante, o gesto afetuoso de quem pede ajuda e reconhece com gratidão.  Via nele uma alma instigante, mais do que um homem que agora lhe parecia bonito, vestido naquelas roupas emprestadas, no blusão que comprara, inclusive os sapatos esportivos, que sem dúvida, ficaram enormes em seu

Uma bomba e a aeromoça gaúcha

Meu amigo tinha por hábito externar qualquer pequeno problema que o acometesse. Às vezes, um mudança abrupta no seu estado psíquico, como uma melancolia, uma vontade de afastar-se de onde estava ou simplesmente um pequeno ruído que o incomodava. Via de regra, sabíamos que reagia com certo exagero às circunstâncias, mas respeitávamos o seu modo de ser e procurávamos conciliar seus pequenos desajustes aos nossos interesses.   Naquele dia, porém a coisa fora diferente. Estávamos reunidos no aeroporto para seguirmos à Brasília para um curso relâmpago de três dias. Éramos em torno de 30 pessoas e comemorávamos a ideia de projetar o nosso trabalho de marketing para a instituição em que trabalhávamos.   Ao entrarmos no avião, fomos para nossos acentos e conversamos animados com a possibilidade de ainda chegarmos cedo à cidade para quem sabe, irmos num bom restaurante após a chegada no hotel e nos prepararmos para o dia seguinte que seria bem puxado.  Meu amigo Júlio (era se