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Mostrando postagens de Maio 16, 2017

Nosso barco quase a esmo

Fonte da ilustração: Pintura de Evanoli Resende Corrêa
Às vezes me pergunto o porquê das pequenas rusgas. Não falo das grandes intolerâncias, dos descalabros das discórdias, das quase tragédias.
Penso nos pequenos desentendimentos, nas mágoas secretas por presumíveis falhas de quem nos quer bem, nos silêncios provocados para evitar a verdade, porque às vezes a pós-verdade é o que interessa.
Que importa que o amigo, o colega ou o companheiro de trabalho não disse exatamente como nos foi contado, se o que pensamos é o que vale como verdade absoluta. O que existe de tão agressivo no pensar humano, que impõe apenas uma regra para o conhecimento de sua verdade, cujos desdobramentos se encerram em um único ponto de vista. O que vale é o que nos induz a censurar, a nos irritarmos, de tal modo, que nos tornamos passíveis do afastamento, imbuindo em nossas mentes a distância como principal mecanismo para nossas desavenças.
Por que não ouvir o outro e ficar apenas no que nos foi dito? Talvez po…