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Mostrando postagens de Junho 16, 2016

A ARANHA

A crônica "A aranha" está na antologia "Outras águas" e foi vencedora na categoria, juntamente com a crônica "A palestra" publicada neste blog.
Fonte da ilustração: Westermann, Johannes do site https://pixabay.com/pt/users/Westi2605-2708584/
Quando acordei, pensei que o mundo houvesse acabado, tão grande a agonia que sentia. Coração aos saltos, lábios trêmulos, língua paralisada. Estaria eu no fim? De repente, um assobio que se finava ao longe indicava drasticamente que estava vivo. Não tão desperto, como imaginava.
Sentei-me devagar, com dificuldade, procurando os óculos sobre o baú, entre frascos de comprimidos, colírios e livros. Passei a mão, ainda perturbado, empurrando tudo que se opunha ao meu gesto. Até que o estalido no chão obrigou-me a dobrar a coluna para encontrar o objeto de minha dependência.
Deitei-me de bruços na cama, enfiei um pé entre os cobertores ainda quentes e espiei pelo lado oposto onde estava deitado.
Mergulhei a mão, enveredei po…

UM CRIME NA CIDADE QUE SABIA DEMAIS - 6º CAPÍTULO

No capítulo anterior de nosso folhetim policial, o médico Ricardo decide ir ao hospital de madrugada para visitar o amigo doente. Percebera que não deveria ter ido, pela ironia do amigo ao perceber que havia bebido, embora não fosse seu plantão àquela noite. No dia seguinte, conversara com Sara Soares, a mãe de Raul, que demonstrara não acreditar nas histórias do filho. No 6º capítulo desta quinta-feira 16/06/16, Ricardo volta para o hotel para buscar uns documentos e conversa com Rosa, a maestrina do coral da igreja e também porteira do hotel.
Capítulo 6
Rosa investigava distraída o celular, quando Ricardo deu uma pequena batidinha no balcão. Ela assustou-se e pediu desculpas pela displicência.
— Não se preocupe dona Rosa. É que estou com um pouco de pressa, esqueci de uns documentos no quarto e preciso sair rapidamente.
— Ah, sim. Já lhe dou a chave. Doutor, gostaria de participar do nosso coral da igreja? Olhe, não precisa ser cantor, basta ter boa vontade.
— Dona Rosa, além de eu não …