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Acertar a mão

Segundo Antônio Cândido, em seu brilhante ensaio Direito à literatura, “... as palavras organizadas são mais do que a presença de um código: elas comunicam sempre alguma coisa, que nos toca porque obedece a certa ordem.” E mais adiante, ele sugere que o material bruto da linguagem, quando do processo de elaboração torna-se um caos originário deste material a partir do qual o produtor escolheu uma forma e que se torna ordem. Por isso, segundo ele, o caos interior do leitor também se ordena e a mensagem pode atuar. “Toda obra literária pressupõe esta superação do caos, determinada por um arranjo especial das palavras e fazendo uma proposta de sentido.
Seguindo esse princípio do grande sociólogo e crítico literário, eu trampus a técnica para o meu trabalho, como produtor de narrativas. Percebi que produzi a expressão adequada para dar forma e sentido do eu e do mundo no meu texto, quando organizei o caos. Sempre que inicio um romance, uma novela ou conto, há sempre uma gama de temas que …

A bandeira e o eclipse

Minha mãe era muito zelosa com as atribuições da escola. Na primavera de 66, estávamos mais preocupados com o provável eclipse que ocorreria no Brasil, especialmente na região sul, do que outros eventos cotidianos, como por exemplo confecionar bandeiras brasileiras.
Eu já tinha tudo pronto em minha mente, usaria uma chapa de raios x para observar o céu, até que o sol desparecesse e a terra se alinhasse com a lua, escurecendo a cidade.
No balneário Cassino, no entanto, a situação seria ainda mais eufórica e esperada. Afinal, a Nasa lançaria 14 foguetes na praia com a intenção de investigar o fenômeno. Havia muita gente no Cassino, inclusive mais de 300 cientistas do exterior.
Minha mãe, entretanto estava disposta a cumprir a sua tarefa. Levou-me à loja Isaac Woolf e com a paciência das mulheres em escolher tons para os tecidos, permanecemos na loja mais de uma hora. Eram matizes que não acabavam mais. Tons que iam do verde escuro ao mais claro, azul que deveria compor um céu infinito e…

Os dez países com mais leituras em outubro de 2017

1. Brasil
2. Estados Unidos
3. Rússia
4. Alemanha
5. Ucrânia
6. Irlanda
7. Portugal
8. Romênia
9. França
10. Polônia

Os dez textos mais acessados em outubro de 2017

1. A essência da vida
2. SOU DO CONTRA!
3. PIOLHOS DE RICO
4. TRABALHO VOLUNTÁRIO NO HOSPITAL PSIQUIÁTRICO : UMA PROVOCAÇÃO PARA A VIDA
5. A catarse do escritor
6. O bibliotecário e o escritor
7. Um olhar instigador
8. Sonhos na lagoa
9. Onde chegará o homem?
10. Triste Brasil

A catarse do escritor

Pedro Nava, o grande escritor mineiro, autor de "Baú dos ossos", afirmava que a memória é uma coisa inextinguível, com suas coisas boas e ruins, mas pode-se fazer uma catarse, enquanto se escreve. Para isso, ele explicava: “eu tenho esquecido certas coisas que eu tinha completamente vivas dentro de minha memória depois que as pus por escrito. Depois delas escritas, desapareceram certas datas, certas pessoas. Certos aborrecimentos que eu tinha com determinadas pessoas desapareceram completamente. Eu fiz uma espécie de pazes com muita gente através da minha literatura um pouco vingativa sobre algumas pessoas que me desagradaram”.
De certo modo, todo escritor se vale de suas experiências pessoais, de características de familiares, amigos, conhecidos e até mesmo desconhecidos. Em geral, estas nuances de personalidade ou aparência física ou características especiais ficam na memória e são mescladas para construir determinado personagem.
É no fazer literário, na comunhão com seus …

Triste Brasil

Lendo uma das citações de Bertold Brecht, o dramaturgo alemão do século XX, cujos trabalhos artísticos e teóricos influenciaram o teatro contemporâneo, percebemos que seus pensamentos são tão universais e de nosso tempo, que parecem vaticinar o que viria acontecer no futuro.
Senão, vejamos suas palavras:
"Nada é impossível de mudar.Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar."
Observamos, portanto, que este pensamento se encaixa na situação que estamos vivendo, de arbitrariedade e golpe na democracia.
Pense bem, desconfie do "simplinho", do falso humilde que vota pela pátria, pela democracia, pelo amor a Deus e à família.
Sabemos que não vivemos num mundo …

Luta por quem está contigo

Eu costumo comentar com colegas ou amigos, que sempre que havia um desentendimento de alguém que de algum modo me feria, eu não ficava me lamuriando, caso a pessoa fosse apenas um colega ou conhecido.
Claro que sentia, mas sentiria muito mais se eu gostasse realmente da pessoa, se fosse minha amiga ou parente. Ficaria muito triste. Afinal, essas me tocavam de perto.
Em 2014, o Papa Francisco disse a frase que corrobora com o que penso:
“Não chores por quem te abandonou, luta por quem está contigo. Não chores por quem te odeia, luta por quem te quer.”
Eu acrescentaria o verso do Quintana “eles passarão, eu passarinho”.
Sem ódio, sem tristeza, apenas exaltar a alegria dos que a compartilham. Vida que segue.

Um pouco sobre mim e meus livros publicados

Eu trabalhei na FURG como bibliotecário. Lecionei também Português, Inglês e Literatura em escola pública. Formado em Letras Português/Inglês, Biblioteconomia e Especialista em Ciências da Informação.
Atualmente, sou membro da Academia Rio-grandina de Letras. Escrevo no blog letras-livres.blogspot.com.br e participo da página literária do Jornal Agora, no caderno O Peixeiro, pela Academia Rio-grandina de Letras.
A página literária no facebook é: https://www.facebook.com/guilsonlitteris/
Sobre os livros publicados:
Como escritor, participei da Coletânea de Conto, Poesia e Crônica, Edições EG da All Print Editora, 2009.
Ainda em 2009, integrei a Antologia de contos “Outras águas”.
Participei da antologia Contos Vencedores 2013 de Araçatuba, com o conto “A margem oposta e na Antologia de Contos de Santo Ângelo, 2014.
Em 2017, Antologia de contos “Metamorfoses”, com o conto “Emblema da morte em vida”.
Publiquei dois romances: “O eclipse de Serguei”, pela editora Biblioteca 24x7, de São…